O autoconceito em crianças obesas e as influências sociais sofridas por elas.

Podemos dizer que o autoconceito é o conhecimento que o indivíduo tem de si, envolvendo aspectos cognitivos, afetivos e comportamentais.

A maioria das pessoas obesas não está satisfeita com sua imagem corporal e, consequentemente, possuem um autoconceito negativo sobre si, pois a obesidade ainda é vista por grande parte da população, como sinônimo de culpa, preguiça e fraqueza. Esse sentimento é transmitido para nossas crianças que, interiorizam, desde muito cedo, a ideia de que o excesso de peso é algo indesejável socialmente, e percebem seus corpos como algo embaraçoso e vergonhoso. Grande parte das crianças obesas na atualidade se sente diferentes, inferiores e insatisfeitas com sua aparência física por causa do excesso de peso. Desta forma, aumentam os sentimentos de inferioridade, começam a se privar do envolvimento social como a prática de esportes e brincadeiras que demandam maior número de movimentos repetitivos e esforço físico em exposição com outras crianças, por não possuírem a mesma agilidade. Elas também têm maior tendência a ficarem se comparando com as crianças de peso inferior, além de terem discursos auto depreciativos em relação a si próprias, levando à baixa autoestima e ao isolamento. Isto é altamente perceptível no ambiente escolar onde a criança é mais introvertida e não tem autonomia para fazer novas amizades, por não se achar pertencente a um grupo por ser fisicamente diferente, podendo prejudicar o processo de aprendizagem.

Outro fator importante para a construção negativa do autoconceito são as exigências da família e pessoas próximas em relação à estética corporal da criança, sem tentarem compreender fatores fisiológicos e psicológicos que envolvem o quadro. Isto pode contribuir para que a criança faça uma avaliação negativa do seu comportamento, levando-a a pensar que não responde às expectativas destas pessoas, deprimindo-a, levando-a a tomar atitudes ansiosas, impulsivas, negativas, prejudiciais e sentimentos de culpa.

É muito importante que os meios sociais frequentados por crianças como escolas e locais de recreação, estejam sempre debatendo questões voltadas à obesidade infantil, reavaliando estratégias para lidar com o preconceito, o bullying e desconstruindo a ideia social de que existe um padrão de “corpo perfeito” a ser seguido e que, se o corpo estiver fora destes padrões é falta de força de vontade, ausência de restrições e autocontrole da família para com sua filha ou filho. Desta forma crianças obesas, assim como muitos adultos, podem adquirir aversão à sua gordura e a dos outros, a conhecida gordofobia.   

Crianças obesas com autoconceito negativo tem maior tendência a desenvolverem problemas comportamentais, transtornos alimentares, transtornos depressivos, transtornos ansiosos, transtornos de personalidade e transtornos de imagem.

 

Texto da psicóloga Jéssica Chiminazzo.

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