O papel da Avaliação Psicológica na Cirurgia Bariátrica

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Texto da nossa diretora Dra Priscilla Leitner:

Desde que comecei a trabalhar e pesquisar a obesidade já escutei muitas e muitas vezes esta mesma pergunta, seja de pacientes, familiares, outros profissionais e até mesmo de médicos.  Ora, para que serve ou qual o propósito de ter uma liberação de um psicólogo? Para responder, é preciso conhecer de onde parte esta pergunta.

O paciente que busca a Cirurgia Bariátrica tem algumas caraterísticas bem marcantes e a primeira delas é a ansiedade de realizar o procedimento. Muitos me dizem que “precisam do papel” ou “precisam da liberação”, sem se importar ou compreender este processo.  O alerta é maior ainda quando esta ansiedade também é encontrada na equipe.

Outra característica é a baixa disponibilidade para se preparar emocionalmente.  Alguns se mostram com “preguiça” de tratar temas emocionais, outros com extrema autoconfiança quando dizem: “já me conheço e sei dos meus problemas” ou “está tudo certo comigo, estou decidida”.

É interessante que no imaginário de alguns pacientes, existe o medo do profissional psicólogo convencê-lo a desistir do procedimento ou, caso se abra demais, não receber a liberação.

Portanto, na raiz deste processo de avaliação tão importante, estão estes fatores, que prejudicam diretamente o vínculo ao processo e o preparo do paciente.

Estas questões podem ser superadas com o  esclarecimento do que se trata realmente isso tudo, que é o objetivo deste texto.

O psicólogo, muitas vezes especialista em obesidade e transtornos alimentares, busca investigar de forma criteriosa a história de vida e da obesidade, conhecer dificuldades e problemas emocionais, expectativas quanto a cirurgia e vida após cirurgia. Aspectos psicológicos são avaliados para possíveis comorbidades psiquiátricas como depressão, ansiedade, compulsão alimentar, comportamento bulímico, distúrbios da auto-imagem, abuso de álcool e drogas, etc.

Também é verificado pelo psicólogo, e em geral pelo cirurgião também, se esta pessoa tem um suporte familiar ou uma rede de apoio para ajudar no processo.  Esta parte é também muito importante.

Nem sempre é encontrado fora das equipes multidisciplinares, mas muitas vezes é necessário orientações e uma preparação que chamamos de psicoeducação, que consiste no profissional “psi” orientar o paciente sobre como lidar com as mudanças nos mais diversos sentidos, como no corpo, na rotina, na alimentação, com as emoções, com a dor, com o medo do reganho, etc.

É sempre indicado o acompanhamento pós-cirúrgico, mas infelizmente poucos pacientes fazem, e os que fazem são porque encontraram problemas ou estão com reganho de peso.

Estudos mostram que a Cirurgia Bariátrica é o melhor e mais efetivo tratamento para a obesidade mórbida, e minha experiência de mais de 500 pacientes mostra que sim é possível ser um caso de sucesso. Por isso afirmo com muita certeza que um bom preparo psicológico é fundamental!

 

 

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