A Comida é sua Inimiga?

Quando foi que comer ficou tão difícil? Quando foi que deixamos de comer alimentos e passamos a ingerir somente nutrientes? Quando foi que nos desconectamos tanto do nosso próprio corpo a ponto de não sabermos mais quando estamos com fome e quando estamos satisfeitos? Quando a nossa aparência física se tornou o ponto central das nossas vidas?

Esses são alguns dos questionamentos que norteiam o trabalho de psicólogos hoje, mas nem sempre foi assim. Para os que trabalham na área da psicologia alimentar pode parecer simples ensinar o paciente a organizar sua rotina, orientar estratégias para seguir a dieta recomendada pela nutricionista, aprender a dizer não para as tentações, se motivar para fazer exercício e, com todas essas mudanças, emagrecer.

Mas o que ocorre no dia a dia das clínicas não é exatamente isso. Há mulheres incríveis que sofrem por estarem acima do peso – não porque isso traz qualquer prejuízo para sua saúde, mas simplesmente porque há a ideia de que só serão felizes se forem magras. Só poderão usar biquínis e ir à praia se divertir se forem magras. Só serão amadas se forem magras. Todo o valor que elas tem passa a ser definido pelo tamanho de calça que usam.

E vale de tudo para emagrecer: dietas restritivas, procedimentos estéticos dolorosos, rotinas de treino exaustivas, uso de medicamentos… Há pacientes que chegam até psicólogos e dizem já ter tentado “de tudo” para emagrecer e que estão exaustas, frustradas consigo mesmas, achando que são fracas por não conseguirem ter mantido aquela rotina de blogueira fitness. Acham que o problema está nelas.

Há algo em comum com todas essas pacientes, todas alegam não conseguir atingir o peso ideal e se julgam fracas por isso, então notasse que o problema não está com elas. Onde estará então? O problema é viver em uma cultura que associa magreza como sinônimo de sucesso e saúde. Uma cultura que diz para as pessoas que estão acima do peso que elas são uma fracasso, sem de fato conhecer a realidade de cada um. Uma cultura que vive de aparência, em detrimento das nossas qualidades e capacidades. Uma cultura que determinou um padrão de beleza injusto como sendo o ideal e exclui todos aqueles que não se encaixam.

Nenhum emagrecimento é realmente saudável se a pessoa não tem uma relação tranquila com a comida e com o próprio corpo. E em meio a tantas cobranças notasse que é cada vez mais difícil estabelecer essa relação tranquila.

Se você está sofrendo por que tem dificuldade em aceitar o seu corpo ou porque sua relação com a comida está conflituosa, saiba que é possível mudar. É preciso mudar. E se for difícil fazer isso sozinha, procure ajuda especializada. Você não está só.

 

Texto da Psicóloga do IPCAC, Thalita Martins.

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