Carbofobia

A carbofobia é o medo irracional dos carboidratos. Mais especificamente, de ingerir todos os alimentos ricos desse macronutriente, por medo de algum malefício que ele cause. Mas por que as pessoas tem medo de um nutriente tão importante? 

Trata-se de um mito nutricional, amplamente difundido por falsos detentores da saúde, que classificam o carboidrato como um nutriente ruim e dispensável na nossa alimentação, alegando que eles inflamam, engordam e que sem eles o mundo seria melhor, pois ele é o vilão da novela das 9. Esse tipo de discurso só causa o que chamamos de terrorismo nutricional, pois pega-se uma meia verdade e a distorce transformando-a numa lei, uma regra absoluta, que nos é imposta, e aí ficamos com medo do alimento!

Mas afinal, o que é e para que serve o carboidrato? 

O carboidrato é um macronutriente, assim como a proteína ou o lipídio. Quando o carboidrato é digerido pelo organismo, forma um subproduto chamado glicose, que é utilizado como nossa principal fonte de energia, usada principalmente pelo cérebro, mais especificamente o sistema nervoso central, o que é essencial para te manter vivo e permite que você tenha mais concentração, melhorando a memória e a criatividade, por exemplo.

Quando o cérebro não precisa dessa energia, a glicose é armazenada no fígado e nos músculos em forma de glicogênio, para ser utilizada assim que necessário, se tornando uma fonte secundária de energia. Isso evita que nossos músculos se degradem para gerar energia.

Todo carboidrato é formado por moléculas de carbono, hidrogênio e oxigênio, se degradam em glicose e tem o mesmo valor calórico. O que difere um carboidrato do outro é a composição de cadeias químicas dele, em outras palavras, se ele é simples ou complexo.

Os carboidratos simples são aqueles digeridos e absorvidos rapidamente pelo organismo, muito útil ao precisarmos de energia rápida, como num momento de baixa glicemia, ou antes e depois de fazermos atividades físicas intensas. 

Quando é ingerido sozinho, eleva rapidamente os níveis de glicose no sangue, pois possuem um índice glicêmico maior (ou seja, se transformam em glicose mais rápido, gerando rápida produção de insulina, que leva a glicose de fora para dentro das células) em relação aos carboidratos complexos.

Se aumentar a sua glicemia não é seu objetivo, não precisa deixar de ingerí-los, basta associá-los a ingestão de outros alimentos com índice glicêmico menor, como proteínas, ou ainda, junto com fontes de fibras, para promover mais saciedade e ainda ajudar o trânsito intestinal.

Já os carboidratos complexos, são digeridos de forma mais lenta pelo organismo, causando aumento gradual da glicemia no sangue e sensação de saciedade por mais tempo. Isso ocorre pois eles tem o índice glicêmico menor, o que é útil quando sabemos que a nossa próxima refeição será bem mais tarde, ou quando estaremos fisicamente ativos por um longo período e não queremos sentir fraqueza, por exemplo. 

Os alimentos fontes de carboidratos tem origem vegetal (cereais, grãos, tubérculos, raízes, frutas, leguminosas e também açúcares) com exceção do mel, que é produzido exclusivamente pelas abelhas. Todos esses alimentos têm nutrientes super importantes pro nosso desenvolvimento e são naturais, passam por poucos ou nenhum processamento industrial, Quando ingerido na quantidade correta, ele é fundamental para o bom funcionamento do nosso organismo e não causa malefícios.

Pensando na necessidade de energia do cérebro e dos músculos, e também na ingestão de vitaminas, minerais e fibras, devemos sempre ter acesso ao consumo de carboidrato, aliado a outras fontes de macronutrientes e também a ingestão de água. É importante se permitir comê-los sem neuras, a partir de uma quantidade equilibrada e de fontes variadas. 

A necessidade e o tipo de carboidrato depende de cada indivíduo e se ele possui doenças metabólicas associadas. 

Se você deseja suprimir seu medo por eles ou entender o que é mais adequado de acordo com suas necessidades individuais, procure um nutricionista.

 

Texto da nutricionista Cássia Helena.

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