Como as amizades influenciam na imagem corporal dos adolescentes

A adolescência é uma importante fase de transformações para o sujeito onde ele precisa lidar com várias questões para formação de identidade mais firmemente como autonomia, definição de valores e a construção da opinião própria. Porém, o fator central que dá ênfase a todos esse desenvolvimento psicológico e interpessoal nesta fase é a imagem corporal. Ela se tornará a percepção que eles têm dos sentimentos, troca de afetos entre as pessoas de sua convivência, principalmente com os amigos, que junto com a família, tem papel fundamental para que tudo isso seja elaborado com o mínimo de sofrimento possível. 

Nesta fase o indivíduo deixa de habitar o corpo infantil e transita para os moldes do corpo adulto, mesmo que ainda irão ocorrer importantes modificações até lá. É uma fase de descobertas, onde procuram o pertencimento grupal, cujos hormônios estão em constante estimulação e excitação. Sendo assim, existe uma necessidade de ter um maior conhecimento sobre o próprio corpo, de se identificar com os corpos alheios, de trocar olhares demandados pela aparência física perfeita. Não diferente dos adultos, eles buscam reconhecimento pelo esforço, pelo empenho depositado nas práticas de moldes para a incessante busca pela excelência da forma corporal, quesito chave para atrair a admiração e atração dos demais. 

  Sendo assim, a opinião dos amigos nas mudanças corporais é de extrema importância, pois eles começam a perceber os corpos dos demais da mesma faixa etária e se comparar. Um modelo de corpo sempre é buscado, não somente com a influência da mídia, mas também com o lugar que os amigos colocam as formas corporais dos outros adolescentes. Este julgamento intervém diretamente na percepção que cada um terá do seu corpo e as formas que se utilizará para alcançar o “modelo ideal”. 

Muitas vezes, essa busca se tornará incessável e obsessiva, onde farão o que pensarem ser necessário para alcançar o corpo que desejam. A percepção da autoimagem começa a ficar distorcida e influenciará no comportamento alimentar tanto dos meninos quanto das meninas. Neste ponto já se percebe que existe um sofrimento envolvido neste processo e que o adolescente precisa de suporte profissional para lidar com as emoções que envolvem essa busca, caso contrário isso provavelmente irá se prolongar para a vida adulta causando danos que poderão ser de difícil elaboração ou irreversíveis.

 

Texto da psicóloga, Jéssica Chiminazzo.

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