Meu filho tem um problema?

Se me perguntarem para citar um dos grandes fatores que causam danos psicológicos ao ser humano nos dias de hoje, com certeza direi que preciso mencionar dois, pois eles se complementam e caminham juntos: mídia e cotidiano. A mídia é uma das maiores influenciadoras em demandar algo do sujeito, muitas vezes improvável de se conquistar com tanta facilidade como lhes é apresentado, se puder ser alcançado. O cotidiano sofre influência direta dela em milhares de situações que pode-se dizer que é a onda da “Super pessoa” (super atleta, super saudável, super família, super mãe, super pai, super feliz, super bem sucedido, super disposto e motivado, sem cansaço, com aparência impecável), conseguindo resolver tudo e super feliz. QUEM DERA!!! Os adultos se angustiam diretamente com essa demanda e as crianças também.

A infância contemporânea nos mostra que, o que foi citado acima, está influenciando cada vez mais as crianças, tornando-as ansiosas, obsessivas, compulsivas, frustradas, deprimidas e apresentando problemas psicológicos cada vez mais cedo. Mas como é possível identificar isso no meu filho?

1º o primeiro passo é não querer encontrar algo no seu filho. Ele é único e não sente, apresenta ou age como as outras pessoas. Ele pode ter algo semelhante nas suas atitudes ou até copiar algo, mas ele demonstrará do jeito dele. Ele pode ter sintomas parecidos aos que li no “DR. Google”, mas ele vai expressar do jeito dele.

2º Não denomine seu filho dizendo o que ele tem depois da busca no “Dr. Google”, ou mesmo se ele já tiver uma avaliação clínica. Os pais um nome tão lindo e significativo para ele ser chamado, e muitas pessoas acabam denominando-o, em seguida, com que ele tem (déficit de atenção, hiperativo, autista, depressivo, etc). Ele não é isto.

Passado essas duas primeiras etapas, coração mais calmo por seu filho ser diferente, único e singular, pode-se fazer uma avaliação simples em casa antes de procurar um psicólogo para te ajudar:

1° indício: mudança no comportamento da criança em casa – era muito calma e está agitada, irritada, nervosa, chorosa, triste, agressiva ou vice versa, se prende muito a rotina e fica nervosa quando sai ou não gosta de rotina.

2º indício: mudança do comportamento da criança na escola ou ao entrar/trocar de escola – criança potencializa suas inseguranças ou se torna agressiva, se isola, fica muito agitada, não aceita ordens e combinados, choro constante, tem dificuldade em fazer amizades, prefere brincar sozinha, não consegue expor a rotina escolar para os pais.

3º indício: mudança na alimentação: seletividade muito mais alta que a esperada para a idade, restrição ou aumento significativo da ingesta e qualidade dos alimentos, come muito rápido, não consegue comer alimentos que comia antes, mesmo fazendo muito esforço para comer.

Se você percebe algo neste sentido em relação à seu filho é importante você avaliar a ideia de fazer uma avaliação com um(a) psicólogo(a) que vai tentar compreender a rotina da criança, a rotina da família e analisar o se isso tudo pode ter influenciado a um comportamento disfuncional no presente momento. Através do atendimento lúdico (jogos, brincadeiras, desenhos, etc), a criança irá expor suas emoções e aprender a lidar melhor com elas. O atendimento envolverá a família num todo, para que todos possam intender o motivo daquele comportamento atual do filho e saberem como lidar com posteriores fatos que tenham semelhança.

Para finalizar, seguem mais duas dicas, uma para os pais, outra para professores de escolas de ensino infantil, médio e fundamental:

1ª. PAIS: Por mais angustiante que os pais estejam com a preocupação de prover tudo aos seus filhos, o mais importante para uma boa formação psíquica do seu filho é dar atenção à ele, dividir todas as suas emoções para ele (alegria, tristeza, raiva, amor, carinho, frustração) e explicar a importância de elas existirem e surgirem naquele momento. Brincar, dar afeto, ser rígido quando necessário, tudo isso faz parte das experiências que a criança deve viver para crescer bem. Pais que trabalham em casa, convidem o filho para “trabalhar junto”, digam para ele fazer um desenho, façam ele perceber o importante papel que ele tem na família. Pare um tempo diário, nem que seja 15 minutos, e dedique este tempo somente para vocês se divertirem juntos.

2ª ESCOLAS: por mais que os funcionários de escolas tenham mais facilidade para diferenciar quando há um problema na criança, por favor, não façam diagnóstico e tomem isso como uma verdade na hora de conversar com os pais ou no convívio com a criança. A criança sempre irá responder aquilo que lhes é demandado! Oriente os pais à procurar ajudar do profissional da saúde sem deduzir algo. É alarmante o número de vezes que isso aconteceu, da angústia que os pais levam para os consultórios e de crianças correspondendo ao que lhe é exposto. O “autismo” pode ser somente uma insegurança em fazer amizades com os colegas, o Transtorno Déficit de Atenção (TDAH) pode ser somente uma ansiedade num nível muito alto que aumenta ainda mais com o que está acontecendo no entorno da criança e assim por diante com as demais patologias.

Eu acho que meu filho tem um problema, o que eu faço? Procure ajuda profissional. Eu Jéssica, como toda equipe do IPCAC nos colocamos a disposição para lhe ajudar.

Por Dra Jessica Chiminazzo – Psicóloga Clínica

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