Obesidade Infantil

O que um dia foi problema só de adulto, agora, infelizmente começamos a ver também nos pequenos.

A obesidade infantil tem vindo cada vez com mais força. Pesquisas do Ministério da Saúde indicam que 12,9% das crianças brasileiras de 5 a 9 anos são obesas. São crianças desconectadas dos seus sentidos, desconectadas dos chamados do seu corpo tão cedo. O que antes se levava 30 anos para bagunçar, agora vemos crianças com 5, 7, 10 anos totalmente já bagunçadas. O problema dessa bagunça? Na infância que se constrói e se consolida a base alimentar do indivíduo, isto é, essa é a base de alimentação que será levada à vida adulta e, por mais que haja períodos alimentares difíceis durante o crescimento e transição da criança ao adolescente e também ao adulto é que esse indivíduo irá sair dessa base, ele terá uma boa referência de para onde voltar.

Sabendo disso, se pensarmos nos dados do Ministério da Saúde, podemos dizer que há grande chance dessas crianças virarem adultos obesos, pois a sua base alimentar foi construída de maneira não saudável e por mais que ele tente mudar ao longo da vida é para essa referência e crenças que ele sempre irá voltar. Por isso, o processo de emagrecimento adulto é tão difícil e complexo.

A nutrição infantil é sim prevenção em saúde! Ensinar desde pequeno a ouvir os sinais do seu corpo, a respeitar a sua fome e a sua saciedade, incentivar a conhecer os mais variados tipos de alimentos e a respeitá-los, respeitar os momentos à mesa e os seus momentos. Ensinar desde cedo a ter uma boa relação com a comida é ensinar o equilíbrio, e que dentro disso muitas vezes terá o 8 e algumas vezes o 80 e está tudo bem, desde que respeite o seu corpo. É a garantia de que a base será formada com bons alicerces, e que terá uma referência legal para sempre voltar.

Mas e se meu filho já está acima do peso? Tenho que colocá-lo na dieta?

Bom, pense comigo: se as dietas mal funcionam para o adulto e o efeito sanfona vive presente, faremos isso com os pequenos? Costumo dizer que fazer dieta restritiva para uma criança em crescimento é o mesmo que deixar de molhar uma plantinha, ela não vai desenvolver como o esperado. Nós temos que reformular a base, ir lá no início de tudo ensinando aquilo que vem antes do comer, como os sinais do corpo, os sentidos e o comportamento. Temos que dar um reset e programar tudo novamente. Por isso, o quanto antes as intervenções vierem, melhor.

Fácil não vai ser, é um processo de um novo aprendizado mas com muito carinho pelas nossas crianças, vamos começar fazendo aquilo que está ao nosso alcance e fazer o melhor que podemos com as circunstâncias que temos dando um passo de cada vez. E se você nem sabe por onde começar, procure ajuda. Aqui no IPCAC temos uma equipe pediátrica multidisciplinar que pode ajudar o seu filho e a sua família.

 

Texto da nossa nutricionista Luisa Hipólito Micharki.

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