Por que se preocupar com o crescimento da obesidade infantil?

Estudo da OMS revela que aumento foi 10 vezes maior quando comparado aos últimos 40 anos.

 

Atualmente, a obesidade já é vista com uma epidemia mundial, se tornando uma grande preocupação com a saúde física e psicológica das pessoas nesta condição, principalmente na infância.

Nas últimas décadas, o número de crianças obesas aumentou consideravelmente. Por mais que as crianças com obesidade não apresentem comorbidades (doenças associadas à condição como colesterol e triglicerídeos altos, doenças ou dificuldades respiratórias, doenças cardíacas, diabetes, etc), estas podem surgir ao longo do crescimento até a vida adulta.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou em outubro de 2017 um novo índice de obesidade em crianças e adolescentes entre 9 e 19 anos, mostrando que o aumento foi 10 vezes maior comparado aos últimos 40 anos e com tendência a continuar crescendo com o passar do tempo. Por isso é preciso estar atento ao comportamento alimentar na família para que a criança tenha hábitos saudáveis, coma alimentos nutritivos e benéficos para sua saúde.

Oferecer novos alimentos, não responder pela criança sobre o que ela gosta ou deixa de gostar, incentivá-la a comer frutas, legumes, vegetais, além de perceber e ouvir quando ela diz que está satisfeita e não forçar a comer uma quantidade maior nas refeições, por pensar que ela está muito magra esteticamente, ajudam no desenvolvimento sem que tenha dificuldades com o hábito alimentar.

A preocupação com a obesidade está voltada para a questão de saúde e não para o enquadramento em um padrão estético, pois problemas fisiológicos e psicológicos são altamente vivenciados por crianças e adolescentes obesos. A grande maioria das crianças e, principalmente, os adolescentes não estão satisfeitos com sua imagem corporal e isso acontece devido aos comentários que ela ouve sobre o seu corpo no meio em que vive.

A obesidade ainda é vista por grande parte da população como sinônimo de culpa, preguiça e fraqueza. Esse sentimento é transmitido para as crianças que começam a acreditar que o excesso de peso é algo feio e assim se sentem inferiores aos demais. Sendo assim, se excluem da prática de esportes e brincadeiras que demandam maior número de movimentos repetitivos e esforço físico. Como se não bastasse, começam a sofrer o famoso bullying e os demais preconceitos por causa do excesso de peso, seja pela estética, pela dificuldade de movimentação na hora das brincadeiras ou até mesmo pela dificuldade de se relacionar com os outros. Dessa forma, aumenta o aparecimento de problemas comportamentais, transtornos alimentares, depressivos, ansiosos, de personalidade e de imagem.

Por todas essas questões é importante refletirmos sobre a alimentação na família, evitar o bullying no ambiente em que a criança esteja confortável, mesmo que o comentário não seja direcionado para ela e incentivar que ela fale sobre suas emoções e sentimentos com os pais ou pessoas em que ela confia.

 

Por Jéssica Chiminazzo – psicóloga do IPCAC. Texto escrito para a revista Manual da Mamãe.

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