Saúde mental e a Mulher…

Há alguns anos, em janeiro, vem acontecendo a campanha Janeiro Branco, em prol da conscientização da importância de se cuidar da saúde mental. Hoje quero falar um pouco sobre a saúde mental da mulher.
Tipicamente essa é a época do ano em que estamos mais cheias de energia e disposição para mudança. A virada de ano dá aquela sensação gostosa de que tudo pode ser diferente, de que as coisas vão mudar, e começamos a traçar metas sobre o rumo que queremos que as coisas tomem. Essas metas, em geral, estão mais associadas à coisas mais concretas e específicas (como viajar, mudar de emprego ou aprender uma coisa nova) ou à cuidados com a saúde física (melhorar a alimentação ou ir à academia regularmente, por exemplo). Ainda é pouco comum que as mulheres estabeleçam metas de cuidados com a saúde mental.
Mas o que é saúde mental, afinal de contas?
A saúde mental de uma pessoa está relacionada à forma como ela reage às coisas que acontecem à sua volta. Na nossa vida, diariamente, temos que lidar com um monte de situações diferentes, e muitas das quais não correspondem às nossas expectativas. Muitas vezes lidamos com as coisas que acontecem de forma automática, apenas reagindo às emoções que sentimos em cada momento, sem de fato refletir sobre o porquê de sentirmos aquilo.
Não vou me estender em estatísticas e dados, mas é de conhecimento geral como a rotina das mulheres mudou muito nas últimas décadas. Acumulamos mais funções e responsabilidades, sem deixar de lado as preocupações e responsabilidades que já nos eram cobradas. Trabalhamos fora e queremos ser excelentes no nosso trabalho e crescer na carreira. Mas também queremos ser excelentes donas das nossas casas, excelentes mães para nossos filhos, excelentes esposas para nossos companheiros (ou companheiras) e ainda cuidar da nossa aparência física de forma atender padrões (injustos, diga-se de passagem) muito rigorosos sobre como devemos ser.
É muita coisa para dar conta e obviamente não vamos dar conta de tudo. Mas queremos e continuamente nos cobramos para continuar dando conta. Às vezes nos cobramos tanto, de forma tão crítica, preocupadas em atender certas expectativas, que nem temos espaço para nos questionar: é realmente isso que eu quero? Isso me faz bem? E muitas vezes adoecemos devido a esse excesso de cobrança, ou nos desgastamos em relacionamentos tóxicos, trabalhos onde não somos valorizadas, ambientes que nos fazem mal.
Priorizar a saúde mental significa se permitir parar um pouco e refletir sobre a vida que levamos e as escolhas que fazemos. Entender que ninguém é perfeito, temos nossos limites, que a vida não está sob nosso controle, e que constantemente teremos que lidar uma série de emoções nem sempre agradáveis de sentir. Priorizar a saúde mental significa também reconhecer que não precisamos dar conta de tudo sozinhas e que pedir ajuda é importante. Seja para um familiar, para o parceiro, para amigas ou mesmo ajuda profissional. Priorizar a saúde mental é fortalecer seu autoconhecimento, e isso pode ser libertador.
Quando nossa saúde mental está em dia é mais fácil reconhecer nossas necessidades, nossas dificuldades e o que precisa ser feito para lidar com elas. Também aprendemos a relaxar e aproveitar melhor os momentos mais agradáveis, sem cobranças.
Então, mulheres, faço um convite a vocês: que tal aproveitar toda essa energia de começo de ano para investir em buscar se conhecer, fortalecendo o que há de melhor em você e reavaliando aquilo que não te faz bem?
Sua saúde mental agradece.
Texto da nossa psicóloga Dra Thalita Martins.

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