Suicídio: o tamanho do problema!

O que você me diria se eu te contasse que existe um problema de saúde que é responsável por ser a segunda maior causa de morte no mundo entre pessoas de 15 e 29 anos de idade e que tira uma vida a cada 40 segundos no planeta (cerca de um milhão de vidas por ano)? Você diria que esse é um problema de saúde sério e digno de muita atenção, correto?! Eis que estamos falando sobre uma silenciosa epidemia: o suicídio. Os números são, de fato, alarmantes: a cada 3 segundos uma pessoa tenta suicídio no mundo e a cada 40 segundos uma chega ao ato.

A maioria das pessoas que cometeram suicídio (50 a 60% delas) jamais se consultaram com um profissional de saúde mental ao longo da vida. No Brasil, a cada 100 pessoas 17 já pensaram em suicídio, 5 já planejaram, 3 já tentaram e apenas 1 pessoa chegou a receber algum tipo de atendimento médico por conta de tal.

Existem diversos fatores de risco para o suicídio. Dentre eles, podemos destacar dois principais:

  • Histórico pessoal de tentativa: 50% daqueles que se suicidaram já haviam tentado outras vezes;
  • Doença mental: com destaque para depressão, transtorno do humor bipolar, alcoolismo/uso de drogas, transtornos de personalidade e esquizofrenia.

Ao falarmos de um desses tópicos, como a depressão, por exemplo, temos mais dados significativos: apenas 50% das pessoas que têm depressão buscam ajuda; dessas, apenas 50% são diagnosticadas; dos diagnosticados, apenas 50% fazem tratamento, sendo que apenas metade deles dá continuidade até receber alta clínica. Resumindo todas essas porcentagens: de todos estes indivíduos com depressão, apenas 6,25% concluem tratamento.

Apesar dos dados epidemiológicos nos ajudarem com algumas características (mulheres tem um número de tentativas de suicídio 3 vezes maior que o dos homens, os óbitos por suicídio são 3 vezes mais comuns em homens; pessoas entre 15 e 30 anos e acima de 65 anos apresentam maior número de suicídios), temos que ter em mente que o suicídio ocorre em todos segmentos sociais: crianças, jovens, adultos, idosos, homens, mulheres, pobres, classe média, ricos… Portanto, deve-se prestar atenção a qualquer ser que manifeste algum sinal de risco!

Neste cenário, encontramos um paradoxo: um grande problema (altas taxas de suicídio) que recebe um cuidado pequeno (quem precisa não chega a receber ajuda). Por que isso ocorre? A resposta para tal é bastante complexa, mas poderíamos dizer que envolve dois pontos em especial: questão político-econômica (estrutura precária dos serviços públicos de saúde mental) e perpetuação de antigos tabus e preconceitos diante dos problemas relacionados a saúde mental (psicofobia).

E então, o que fazer com essa epidemia silenciosa? Muitas coisas a serem feitas, sem dúvida, mas apresento aqui uma muito importante e sem custo financeiro: FALAR. E aí já começamos a quebrar um antigo mito: “falar sobre suicídio aumenta o risco de suicídio”. Essa informação é fake news! Falar ajuda a aliviar a angústia de quem sofre e costuma ser o primeiro passo para que essa pessoa consiga realizar um tratamento (fugindo assim desses sombrios dados epidemiológicos que conversamos acima).

 

Texto do nosso psiquiatra Dr Cesar Antonio Caldart.

 

Referências bibliográficas:

Botega NJ, D’Oliveira CF, Cais CF, Stefanello S. Prevenção do suicídio: manual dirigido profissionais da saúde da atenção básica recursos da comunidade. São Paulo: Unicamp, 2009.

Site oficial da World Health Organization (Organização Mundial de Saúde)- Acesso em 05/09/2019.

Suicídio: Informando para prevenir (Cartilha da Associação Brasileira de Psiquiatria vigente para a Campanha do Setembro Amarelo 2019)

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