Repense a Balança.

É possível encontrar o equilíbrio? Sim, desde que a gente entenda que o ponto certo varia de pessoa para pessoa.

Você acredita que quanto mais ocupados estamos, mais importante a gente é? Esqueça isso, por favor! É uma crença que tem efeito ruim sobre o nosso corpo e mente. “Somos cobrados para fazer muitas coisas, desempenhas muitos papéis. Ninguém nos dias de hoje tem uma vida tranquila, todo mundo tem muitas atribuições e afazeres. Em geral, tomos que cuidar da carreira, da vida efetiva, da família, dos filhos e ainda encontrar tempo para atividades recreativas e de lazer”, comenta Priscilla Leitner, psicóloga especialista em comportamento alimentar do Instituto de Pesquisa do Comportamento Alimentar (IPCAC).

Mas o que isso quer dizer? “Com tantas atividades para fazer no dia a dia, o desequilíbrio acaba nos afetando. Além da cobrança externa, existe a cobrança interna para sermos bom em tudo.”, explica. “O que acontece é que a gente fica sem um chão interno, o que na psicologia chamamos de grounding, que é perder o contato com si mesmo. As pessoas acabam vivendo no piloto automático sem se dar conta de responder às demandas internas, se preocupando apenas com as externas”, complementa Priscilla.

PARA AS MULHERES, MAIS COBRANÇA.

Ainda hoje as mulheres são mais cobradas quando falamos em ser multitarefas e ter que dar conta de tudo. Então, lidar com tantas atribuições, muitas vezes procurando ser melhor em todos os papéis ou ficar em uma atitude muito responsiva, acaba gerando esse desequilíbrio emocional. “Atendo muitas mulheres que sofrem com isso, para tentar entender o desequilíbrio em que vivem. Como elas vivem com uma sobrecarga total, muitas acabam desenvolvendo problemas de saúde”, diz a psicóloga.

Nesse cenário acabam desenvolvendo problemas realmente sérios quando se fala em nosso bem-estar. “Em geral, afeta nossa saúde, sim. Aumenta a ansiedade, pode gerar problemas para dormir e até a alimentação sofre. As mulheres que me procuram apresentam dificuldades alimentares justamente porque estão lidando com o desequilíbrio em sua vida, pessoal, profissional e familiar”, esclarece. “Tudo isso vem com a autocobrança e o perfeccionismo na realização de todas as tarefas, piorando ainda mais a situação.”

“De modo geral, esse desequilíbrio gera uma alimentação desregulada ou uma compulsão alimentar. Pode-se desenvolver uma preocupação muito excessiva com a comida ou uma necessidade de controlar tudo o que consume. Claro, muitas coisas podem acontecer, mas o desequilíbrio se torna uma consequência séria”, explica Priscilla. Segundo ela, isso é comum, pois realmente as pessoas descontam seus ansioso na comida sem perceber. “É o que a gente chama de comer transtornado. É uma dificuldade alimentar e comportamental, mas que não chega a se caracterizar como transtorno alimentar. “Uma das maiores características é pensar muito na alimentação e não conseguir dominar suas atitudes e pensamentos, mas em um nível mais leve do que quando há um transtorno.”

Segundo Priscilla, é preciso entender que o desequilíbrio está presente em muitas pessoas, mas depende de cada um como vai lidar com isso. “Não existe uma posição perfeita de equilíbrio. O que precisa acontecer é que cada um lide com momentos de desequilíbrio e saiba retornar para as próprias demandas internas, ou seja, procurar coisas que tragam felicidade e bem-estar. Isso ajuda muito. Entenda que é difícil, mas não impossível”, elucida.

“O ponto de equilíbrio é um mito, pois ele muda de pessoa para pessoa. Cada um vai ter que descobrir como isso funciona”, conclui.

O BALANÇO PERFEITO.

Para não perder o foco, algumas dicas da psicóloga Priscilla.

  • Procure por momentos de autoconhecimento e reflexão para tentar entender o que está acontecendo em sua vida.
  • Saia do piloto automático ao entender tudo e todos que estão à sua volta.
  • Encontre e mantenha atividades que atendam às demandas internas e que te deem prazer.
  • Saiba respeitar os próprios limites. Entenda o que consegue, mas também o que não consegue fazer.
  • Caso perceba um desequilíbrio muito grande, busque ajuda de um profissional.

Texto da Psicóloga clínica do IPCAC, Priscilla Leitner para a revista VIVER Curitiba.